Todos os lados envolvidos na questão, a não ser aquele
que participou da elaboração do projeto de lei, disseram que seria muito melhor,
ao invés de mudar a lei, intensificar a fiscalização contra as empresas que usam
do expediente relatado acima com os estagiários. As dificuldades orçamentárias
dos ministérios, porém, aparecem como justificativa principal para a falta de
maior fiscalização.
Os Agentes de Integração, em sua maioria, se colocam contra as mudanças
propostas, apontando também a fiscalização como a melhor arma contra os abusos
cometidos por empresas. Além disso, as empresas também vêem com certo
temor as medidas propostas.
E os estagiários?
Os estagiários estão relutantes em relação às mudanças apresentadas no
anteprojeto de lei. Se por um lado eles concordam que existem abusos por parte
das empresas, por outro têm receio de que ocorra uma diminuição do número de
vagas. E todos sabem da importância dessa oportunidade profissional, que
geralmente é a primeira.
As propostas
Veja o que anteprojeto de lei para o estágio apresenta como principais
propostas:
- A jornada de trabalho ficaria restrita a 30 horas semanais para estagiário
de ensino superior e a 20 para os de ensino médio ou técnico;
- Estabelece que a remuneração mínima, para qualquer estagiário, é de um
salário mínimo, além de obrigar a empresa a segurar o estagiário contra
acidentes e responsabilidade civil e pagar vale transporte;
- Não reconhece vínculo empregatício para o estágio, a não ser quando alguma
irregularidade for constatada. Nesse caso, a empresa teria que pagar multa,
calculada de acordo com os custos de um funcionário permanente;
- Limita o número de estagiário a no máximo 20% do quadro de funcionários da
empresa.
A posição do ministério
Otávio Brito Lopes é vice-procurador geral do trabalho. Embora não tenha
participado da elaboração do projeto, ele respondeu a Vencer!, em nome do
Ministério do Trabalho, nessa polêmica questão. Ele acha que a proposta é boa,
principalmente porque visa a acabar com os abusos cometidos pelas empresas
contra os estagiários.
O vice-procurador concorda que, com a aprovação do anteprojeto, o estágio
pode ficar mais oneroso para as empresas, mas não acredita que haja uma grande
mudança no número de vagas oferecidas nem um grande impacto no mercado de
trabalho. Até porque, diz Otávio, o que gera emprego não é a legislação, mas o
crescimento econômico. Otávio acredita ainda que se houver redução da oferta de
estágio, pode ser um indício de que as empresas estão utilizando os estagiários
em substituição à mão-de-obra permanente. Nesse caso, a contratação formal de
trabalhadores acabaria substituindo os estagiários.
Fonte: Revista Vencer